FAMÍLIA LEMES
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HISTÓRIA DA FAMÍLIA LEMES

"(...)contribuiu para a fundação de Campinas(...) era o desejo dos fazendeiros locais de se tornarem independentes de Jundiaí, a quem o então bairro rural era
vinculado. Inicialmente os fazendeiros conseguiram autorização para a construção de uma capela e, depois, obtiveram a fundação da Freguesia, por decisão do
Morgado de Mateus e que indicou Barreto Leme para a execução. Barreto Leme não foi escolhido por acaso. Ele descendia em linha direta dos Lemes, uma
família originada da Bélgica e que teve função estratégica nas grandes viagens marítimas comandadas pela Coroa portuguesa entre os séculos 15 e 16. Pelo lado
materno Barreto Leme também tinha origem ilustre: ele era descendente da família de Pedro Álvares Cabral, o “descobridor” do Brasil."
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(Texto extraído das obras "Genealogia Paulistana" e de "Nobiliarchia Paulistana")

A família Leme, que da Ilha da Madeira passou à vila de São Vicente pelos anos de 1544 a 1550 prendia-se a antiga e nobre família que possuiu muitos feudos
na cidade de Bruges do antigo condado de Flandres, nos Países Baixos (Hoje, norte da Bélgica). O seu primitivo apelido em Flandres era Lems, que significa
argila ou greda (barro fino e delicado), com o que a família quis salientar a sua nobreza entre os seus compatriotas; em Portugal, esse apelido foi corrompido com
a pronunciação portuguesa a verdadeira voz do seu apelido, se chamou Lemes o que era Lems, mudando totalmente de significação, porque Lemes, como todos
sabemos, é nome próprio de instrumento, que serve para o governo das embarcações, e Lems, que na língua flamenga se exprime prolongando nos beiços a
pronunciação do m, significa o mesmo que na língua latina, argila, e no nosso idioma greda, que é uma espécie de barro, mais mimoso e mais selecto; distintivo,
com que a soberba desta linhagem quis fazer conhecida a sua nobreza entre os seus naturais.

São as suas armas em campo de ouro, cinco melros de preto, postos em aspa, sem pés, nem bicos; e por timbre um dos melros entre uma aspa de ouro. Assim
se acham iluminadas na torre do Tombo de Lisboa, no livro da America, à fl. 24; e assim o refere o dr. Antonio de Vilas-Boas e S. Payo, na sua Nobiliarquia
portugueza, cap. 37, fl. 293.

Seguindo o ramo que nos interessa, o qual passou de Flandres a Portugal e, dali, à Ilha da Madeira, começaremos por Martim Lems, cavalheiro nobre e rico, que
foi senhor de muitos feudos na cidade de Bruges; foi casado e teve entre outros filhos:

Martim Lems passou a Portugal por causa do comércio e se estabeleceu em Lisboa; foi tão magnânimo e de tal modo dedicado ao engrandecimento deste reino,
que montou por sua conta uma urca (ou charrua) e nela mandou a seu filho Antônio Leme com vários homens de lança e espingardas, a auxiliar a expedição do rei
D. Affonso em 1463 contra os mouros na África; em recompensa, o rei o tomou por fidalgo de sua casa. Não casou, porém, teve de Leonor Rodrigues, mulher
solteira, os seguintes filhos (legitimados em 1464 por d. Affonso V - ANTT, Livro das Legitimações, II, fls. 151):
Martim Lems teria voltado a Bruges, onde morreu em 27/03/1485, após ter sido burgomestre local.

Antônio Leme, filho de Martim Lems (A1), seguiu para a África a mandado de seu pai e muito se distinguiu na tomada de Arzilla e Tanger em 1463; por estes
serviços o rei dom Affonso o legitimou e o fez fidalgo de sua casa, conferindo-lhe o foro de cavaleiro e, mais, fez-lhe mercê de poder usar das armas dos Lemes
sem diferença, e o mesmo concedeu a seus descendentes de legítimo matrimônio, o que consta da carta de 12 de novembro de 1471 registrada na Torre do
Tombo. O brasão de armas dos Lemes é o seguinte: em campo de ouro, cinco melros de preto, em santor, sem pés nem bicos; por timbre um dos melros do
escudo em uma aspa de ouro.

Antônio Leme casou e teve o filho:

Martim Leme (C1)que, com carta de recomendação do infante o duque dom Fernando (senhor da Ilha da Madeira) à câmara do Funchal, passou em 1483 para
aquela ilha e faleceu no Funchal, onde foi casado e deixou dois filhos:

Antônio Leme, filho de C1, viveu na Ilha da Madeira muito abastado em sua quinta, que depois se chamou dos Lemes, na freguesia de Santo Antônio do Campo
junto à cidade do Funchal. Casou com Catharina de Barros, a qual se instituiu o morgado na vila da Ponta do Sol na dita ilha, filha de Pedro Gonçalves da
Câmara e de Izabel de Barros, neta por parte de pai de Pedro Gonçalves da
Câmara e de Joanna d’Eça, esta filha de João Fogaça e da camareira-mor da rainha
d. Catharina, mulher de d. João 3º, bisneta do 2º capitão do Funchal João Gonçalves da Câmara, fidalgo da casa real, que foi tido em alta estima pelo rei, por
grandes serviços que lhe prestara na tomada de Cepta e de Arzilla, e de Maria de Noronha (com quem se casou em Cepta), filha de dom João Henriques, conde
de Gijón, que foi filho natural de dom Henrique, rei de Castela; trineta do 1º capitão do Funchal João Gonçalves Zargo e de Constança Rodrigues de Almeida
(filha de Rodrigo Annes de Sá), os quais com seus filhos ainda menores foram povoar a Ilha da Madeira, da qual foi o descobridor e capitão o dito Zargo
(falecido por volta de 1480), com propriedade na metade dela por concessão do rei.

O brasão de armas dos Câmaras é o seguinte: um escudo preto e ao pé uma montanha verde e sobre esta uma torre de prata entre dois lobos de ouro.

Do consórcio de Antônio Leme com Catharina de Barros, procede, entre outros:

Antão Leme (E1) que foi casado na Ilha da Madeira e teve o filho:

Pedro Leme (F1), que passou da dita ilha a São Vicente com sua filha Leonor já casada com Bráz Teves, como escrevemos adiante. Pedro Taques menciona a
este Pedro Leme como o primeiro chegado a São Vicente; porém, frei Gaspar da Madre de Deus assevera ter visto o livro mais antigo de termos de vereança de
São Vicente (não consultado por Pedro Taques), onde consta que Antão Leme foi juiz ordinário na dita vila em 1544; portanto, este (e não seu filho Pedro Leme)
deve ser considerado como o tronco dos Lemes em São Paulo.

Pedro Leme, filho de Antão Leme, natural da Ilha da Madeira, fidalgo da casa real, passou-se desta ilha para São Vicente, onde já morava pelos anos de 1550,
segundo escreveu Pedro Taques. Segundo o mesmo escritor, Pedro Leme, antes de vir para São Vicente, deixara a Ilha da Madeira e estivera no continente na
corte de d. João 3º, onde casou-se a primeira vez com Isabel Paes, açafata do paço, natural de Abrantes, filha de Fernando Dias Paes, que era tio de João
Pinheiro, desembargador do paço, passou a morar em Abrantes onde teve o filho Fernando Dias Paes. Falecendo esta sua 1ª mulher Isabel Paes, voltou Pedro
Leme à Ilha da Madeira com seu filho e ali casou-se 2ª vez com Luzia Fernandes, de quem teve a filha Leonor Leme, a qual passou na companhia de seu pai para
São Vicente já casada com Bráz Teves, tendo ficado por algum tempo na dita ilha seu irmão Fernando Dias Paes, que mais tarde também mudou-se para São
Vicente, onde se casou com sua sobrinha Lucrécia Leme. Terceira vez casou-se Pedro Leme em São Vicente com Gracia Rodrigues de Moura, filha de Gaspar
Rodrigues de Moura. Faleceu Pedro Leme em 1600 em São Paulo com testamento em que menciona apenas o segundo e o terceiro casamentos; isto parece
trazer dúvida sobre o primeiro casamento: porém, ela desaparece diante das indagações feitas por Pedro Taques em 1775 em Portugal (depois de ter escrito seu
Título de Lemes), que levaram-no à certeza da existência desse primeiro casamento, o que foi por ele comunicado a frei Gaspar da Madre de Deus, além da carta de
brasão de armas passada a seu descendente Pedro Dias Paes Leme, registrada em Lisboa, da qual consta que Fernando Dias Paes, casado com sua sobrinha
Lucrécia Leme, foi filho de Pedro Leme e Isabel Paes, neta por parte de pai de Antão Leme, bisneto de Antônio Leme e de Catharina de Barros.

Um pouco mais sobre a Família Lemes: AQUI

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